Guerreiras do Brasil! Seleção Brasileira tem amistoso em casa nas vésperas da Copa do Mundo Feminina 2023Guerreiras do Brasil! Seleção Brasileira tem amistoso em casa nas vésperas da Copa do Mundo Feminina 2023
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Com a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, os protestos e a maior adesão dos torcedores, a modalidade vem evoluindo de forma crescente. Maior público, maior alcance e redes de transmissão evidenciam como o esporte vem ganhando seu espaço a cada dia.

“Recentemente, a FIFA aumentou a premiação da Copa do Mundo Feminina para quase três vezes o valor da última edição do torneio. Algo que também chama a atenção é a quebra de recorde de público em estádios tradicionais europeus, como Camp Nou e Wembley, em jogos do futebol feminino. É perceptível o alto potencial de rentabilidade socioeconômica da modalidade”, disse Fernanda Paiva, estudante de Economia.

O relatório da FIFA de Benchmarking do Futebol Feminino de 2022 buscou analisar quatro principais cenários dentro do futebol feminino mundial. Assim, por meio de 30 ligas de elite e 294 clubes, a organização avaliou a realidade do jogo em áreas-chave: redes esportivas, governança, cenário financeiro e envolvimento das atletas. Isso a fim de traçar estratégias que aumentem o valor comercial e fomentem o consumo da modalidade.

Foto: Johannes Simon/FIFA

“Para impulsionar ainda mais o crescimento e em linha com a nossa visão de tornar o futebol verdadeiramente global, definimos uma estratégia dedicada com foco em quatro áreas principais destinadas a reformar as competições, aumentar o valor comercial, modernizar os programas de desenvolvimento e aumentar a profissionalização. Nosso objetivo é trazer o futebol feminino para o ‘mainstream’, garantindo que existam oportunidades no futebol para meninas e mulheres em todo o mundo – dentro e fora do campo.”, garante Gianni Infantino, presidente da FIFA.
Relatório de Benchmarking do Futebol Feminino, FIFA.

Copa do Mundo Feminina, Seleção Brasileira e premiação

Neste ano, acontece o Mundial de Futebol Feminino entre as Seleções. Com isso, entre os dias 20 de julho e 20 de agosto, 32 países — maior número na competição — entram em busca do maior título da modalidade. Inicialmente, a competição é dividida em oito grupos de quatro países cada. Desses grupos, os dois primeiros classificados avançam para o mata-mata.

Por sua vez, o Brasil estreia no dia 24 de julho contra o Panamá, às 8h no horário de Brasília. A Seleção já está na Austrália em treinamento e finalizou a preparação em solo brasileiro com a presença da torcida, contra o Chile no último domingo (2). A partida contou com um público de 15.892 pessoas e acabou em vitória brasileira: 4 x 0.

A saber, no último ano, o futebol feminino brasileiro bateu o recorde de 41.070 pessoas na final do Brasileirão Feminino entre Internacional x Corinthians. Em suma, o número evidencia o desenvolvimento progressivo da modalidade e acaba representando em microescala o exposto pela FIFA no relatório:

“A temporada 2021/22 foi um ano recorde de público feminino no futebol. Internacionalmente, foram vendidos 500.000 ingressos para o UEFA Women’s EURO 2022 na Inglaterra, mais que o dobro do torneio de 2017 na Holanda. No nível da liga, a Liga Nacional de Futebol Feminino dos EUA alcançou um público máximo de mais de 27.000 em 2022 e o Campeonato Feminino de Primera División Caja Los Andes do Chile vendeu 12.000 ingressos para sua final em 2021. O futuro parece igualmente positivo, com grandes eventos futuros, notavelmente a Copa do Mundo Feminina da FIFA Austrália e Nova Zelândia 2023 do ano que vem, proporcionando maior exposição e dando às partes interessadas do jogo uma plataforma maior para aumentar o envolvimento com os fãs.”
Foto: Thais Magalhães/CBF. 11 ex-jogadoras da Canarinho entraram em campo com as atuais atletas em homenagem ao percurso traçado na Seleção.

Antiga e nova geração em campo!

Na ação promovida no amistoso, as jogadoras entraram com a mensagem “Elas jogaram por nós para jogarmos pelas que virão”. O registro evidencia o caminho de desenvolvimento do futebol feminino e, assim como a rainha Marta deixou como pedido às novas gerações em entrevista na Copa de 2019, “o futebol feminino depende de vocês [nova geração] para sobreviver.”

Com isso, vem à tona a importância do incentivo desde a base. Segundo o relatório FIFA entre as ligas e clubes analisados no futebol mundial, o investimento em academias e outras estruturas pode fornecer um canal para a geração de talentos do futebol feminino. “No geral, 84% dos clubes tinham uma academia de juniores (contra 83% no ano anterior, para clubes que estiveram presentes nas duas edições do relatório), e foi positivo ver que 76% de todos os clubes tinham uma academia de juniores com meninas incluídas (em comparação com 71% anteriormente).”

Foto: Reprodução Internet

Os números refletem o comparativo entre o que era, é e ainda pode ser o futebol feminino, sobretudo pensando no Brasil, já que a modalidade foi proibida aqui no passado. Enquanto o país do futebol já havia conquistado três Copas do Mundo no masculino e era o maior vencedor da competição (como segue sendo, com cinco títulos), sem estímulo e regulamentação, o futebol feminino estava “nascendo” de fato. Em 1983, a modalidade foi regulamentada e era o início de competições, calendário e torcida.

“Eu acompanhei de perto a luta das jogadoras para serem reconhecidas, valorizadas e ganharem seu espaço. Elas buscavam igualdade em um cenário de futebol muito machista; eu venho da época da Formiga, da Kátia Cilene. Eram atletas que jogavam muito por amor, porque não tinha reconhecimento nenhum. Não existia reconhecimento financeiro e a geração da Marta veio pra tentar mudar esse cenário. Ela tem grande importância na Seleção Brasileira também pelos protestos nos jogos.” Disse Marielly Mota, professora de educação física e fã de futebol feminino.

– O futebol feminino vem ganhando espaço, vem crescendo. Olhando pro passado, vemos como já evoluiu. Pude acompanhar o amistoso de preparação para a Copa do Mundo e ver quantas pessoas estavam naquele estádio torcendo pelas meninas do Brasil. Foi um orgulho muito grande poder fazer parte e ver que tem muitas famílias torcendo. Concluiu Marielly.

Transmissão das partidas e Copa do Mundo de Futebol Feminino

Em resumo e como constatado no relatório, ao contrário de muitas ligas masculinas profissionais, a receita de transmissão não é o principal impulsionador da receita no jogo feminino, com o esporte ainda em fase de desenvolvimento em relação às suas ofertas de transmissão.

Segundo a FIFA, a maior receita média de transmissão foi alcançada pelas ligas que declararam ter negociado seu acordo apenas para a liga feminina, com uma média de US $ 693.000 em 2020/21 (ou 2021), seguidas por outras competições, incluindo a liga masculina de futebol, com uma média de USD 93.000.

“É evidente que inicialmente deve ocorrer investimentos significativos para que o esporte seja minimamente atraente para o público consumir. A Copa do Mundo de 2019 mostrou que mesmo com o mínimo de incentivo, o futebol feminino brasileiro ainda é um dos mais competitivos mundialmente. Foi aberta a fronteira de possibilidade de investimento e rentabilidade que essa modalidade feminina pode fornecer, quando devidamente incentivada, para os clubes brasileiros.” Concluiu Fernanda.

Pensando na Copa do Mundo, o Grupo Globo transmitirá em TV aberta os jogos da Seleção Brasileira. Será a segunda transmissão em rede livre do torneio (a primeira foi em 2019). Com isso, é nítida a crescente valorização da modalidade, ainda que longe do cenário ideal. Além da Globo, a CazéTV transmitirá todos os jogos da Copa do Mundo Feminina de forma gratuita, pelo Youtube. “Sim, todos. Os 64 jogos, ao vivo, de graça e com imagens!”, garantiu a conta oficial da CazéTV no Twitter.

“O futebol feminino sofreu muito preconceito. Hoje em dia, vemos quantas meninas e mulheres desenvolvem e consomem essa prática. Eu sou professora de educação física e percebo como mudou esse cenário. Tenho muitas alunas que buscam o futebol como esporte; antes, quando você falava que a aula era de futebol, os meninos se interessavam mais. Com o passar dos anos, você fala e as meninas querem ir atrás, querem jogar. Esse meio está mudando e nós estamos na busca por incentivar também as meninas que gostam.” Finalizou Marielly Mota.
2 thoughts on “O ritmo do futebol feminino mundial: como as métricas traduzem o desenvolvimento da modalidade”

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